O que aconteceria se… Os X-Men fossem dirigidos pelo Wes Anderson?

x-men-Wes_Anderson

Wes Anderson é um diretor de cinema que faz filmes esquisitos dos quais eu gosto bastante.

Daí um outro diretor, Patrick Willems, resolveu imaginar como seria um filme dos X-Men dirigido pelo Anderson. Cara,que bacana. Agora quero ver um filme destes inteiro!

E chamem o Anderson para dirigir o novo do Homem- Aranha também!

Marvels

” os transeuntes haviam lido histórias nos jornais, rido um pouco e deixado de lado. mas uma coisa é ler a respeito…

…e outra é encarar o impossível face a face.”

A frase acima, dita pelo protagonista de Marvels, dá o tom da obra que lançou Alex Ross à fama. Escrita por Kurt Busiek,a série parte do principio de imaginar como pessoas reais interagiriam com os elementos fantásticos dos super-heróis. Mas antes de falar da história em si,vale relembrar o lançamento da sua primeira publicação no Brasil, pela editora Abril em 1995. A premissa da história era diferente para a época: acompanhar o nascimento do universo marvel na era de ouro indo até a era de prata, pela perspectiva de um homem comum. Tudo isso representado pela arte foto-realistíca de Alex Ross. E a edição nacional fazia questão de gritar que aquele era um produto diferente. Impressa em couche de ótima qualidade, com capa cartonada, as revistas (era uma mini-série em 4 partes) contava ainda com uma contracapa em acetato, na qual constava apenas o titulo. Assim, a capa destacava totalmente a arte de Ross, sem logos, letreiros ou nada além das ótimas ilustrações.

fotos da edição antiga:

Provavelmente, um produto gráfico tão bem acabado era inédito nas bancas até então. A panini relançou a  saga encadernada em capa dura, com extras, mas não tem o mesmo impacto que a antiga publicação.

A História

No primeiro volume, “uma era de maravilhas“, acompanhamos a vida do fotógrafo-jornalistíco Phil Sheldon, que vive em Nova York na época da segunda-guerra mundial. Prestes a se casar, ele tenta uma autorização para viajar para a Europa como correspondente de guerra, tentando cresecer na carreira. Mas o surgimento do Tocha-humana(em sua versão andróide,o personagem foi o primeiro herói marvel), Namor e outros super-heróis acabam deixando-o confuso, já que agora o mais interessante estava acontecendo bem ali, na sua cidade. É bacana a maneira como Kurt Busiek mostra o assombro que o surgimento desses seres causaria no mundo real; um misto de descrença, medo e admiração, a medida que Sheldon e outras pessoas tentam entender o que se passa com o mundo, podendo fazer nada além de esperar e observar. E também apresenta uma explicação interessante para o ódio de J.J.Jameson  pelos aventureiros mascarados: seria realmente por acreditar que eles representam uma ameaça ou teria um outro motivo, menos nobre mas mais humano?

Da esquera para direita,Jameson( jovem), Phil Sheldon e o Tocha Humana(eles não sabiam que era ele)

“Monstros”,a segunda parte, já avança a história para os anos 60. Phil está mais velho, caolho (perdeu um olho cobrindo a luta entre Tocha Humana e Namor) e tem mulher e filhas para sustentar. Ele continua fascinado pelo fenômeno super-heróico, e tenta  publicar um livro com suas fotos, mas também tem que lidar com um aparente lado ruim das maravilhas(como ele chama os heróis): os mutantes. A história é inteira contada em primeira pessoa por Sheldon, e é interessante como o próprio personagem que não é uma pessoa preconceituosa, chega a temer e odiar os mutantes(ele atira um tijolo na cabeça do homem de gelo!) – no decorrer do capitulo, o fotógrafo questiona se esse ódio não vem do fato de que os mutantes são o próximo degrau da escala evolutiva, tornando os humanos ultrapassados.  Toda a questão é colocada em contraste com a idolatria dedicada pelas pessoas à sensação do momento, o quarteto fantástico, e o casamento de Reed Richards e Sue Storm. Já os X-Men eram para a opinião publica o lado ruim das maravilhas.

A terceira parte, “o dia do juízo final“, lida com a chegada de galactus a Terra. Quem leu a hq original sabe como o quarteto usou o nulificador total  para derrotar o gigante, mas Busiek mantém o foco em passar o que as pessoas comuns fazem quando algo próximo de um deus chega do espaço e anuncia o fim do mundo. tudo ganha uma dimensão grande demais, quase inexplicável, e o leitor acompanha os acontecimentos sem ter total noção do que está acontecendo.A sequência de páginas que mostram Phil Sheldon tentando chegar em casa, intercaladas pelas splash-pages com o confronto entre quarteto, o surfista prateado  e Galactus são fantásticas, e emblemáticas disso.

O final da história chama-se “o dia em que ela morreu” , e conta a história da morte de Gwen Stacy, a namorada do homem-aranha assassinada pelo Duende Verde.

A saga de Phil Sheldon é finalizada deixando nitídas as fases pelas quais ele passou nos quatro volumes, indo do medo à admiração por algo que era maior que ele,até o momento em que ele entende que as maravilhas que ele acompanhou são na verdade tão humanas quanto ele. E Busiek e Ross usam para isso o mais humano dos personagens, o Homem-Aranha,em um momento emblemático da trajetória do personagem: aquele em que ele falha.

Marvels foi mais do que uma homenagem e registro histórico da história do universo marvel, é uma grande história que aproxima os mitos contemporâneos presentes nas hqs às pessoas comuns, desenvolveno o lado mais humano do gênero de super-heróis. Para conseguir esse efeito, a história de Kurt Busiek funciona em sinergia com a arte pintada de Ross. Nem no mais realista filme de super-heróis tivemos algo tão próximo de evocar a reação que a existência de super-seres despertariam quanto nessa história. Para demonstrar, fique com o quadrinho abaixo, que encerra o texto:

posters e comercial de First class

e não é que  X-men first class parece mesmo que vai ser o melhor filme baseado em super-heróis no ano?

esse comercial voltado para a ação ficou muito bom:

também divulgaram posters individuais dos personagens(o que fica estranho é que a linguagem adotada nos cartazes diferem do tom  da produção) mesmo assim:

Magneto

Xavier

Destrutor e seu somzão turbinado

miss-universo 1960

Angel

Mistica

Quem é esse cara???

Azazel(ha!!! esse eu sei, é o pai do noturno!)

Fera– ou então é “O garoto do futuro“(hehe, alguém lembra desse?)

John Byrne

Um dos maiores nomes das hqs americanas dos anos 80, Byrne nasceu na Inglaterra e se mudou ainda criança para o Canadá. Um grande desenhista(bastante influenciado pelo grande Jack Kirby), tornou-se responsável, ao lado de Chris Claremont, pela melhor fase dos X-men, como histórias como ” a saga da Fênix” e “dias de um futuro esquecido. Depois de brigas com o escritor Chris Claremont, o artista deixou o titulo e passou a escrever e desenhar o Quarteto Fantástico( cuja fase é na minha opinião é uma das melhores hqs de super-heróis de todos os tempos)e se firmou também como roteirista.

Ele foi responsável por reformular o Superman nos anos 80 no período posterior a “crise nas infinitas terras”, causando mudanças profundas e polêmicas em relação a como era o personagem na era de prata.

Byrne trabalhou com praticamente todos os personagens de sucesso das duas maiores editoras, DC e Marvel: Batman, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha, Liga da justiça, Vingadores, os novos deuses, entre outros. Também conseguiu reestabelecer personagens de segunda, como na sua divertida fase escrevendo a Mulher-Hulk  (ele até a colocou no Quarteto fantástico, no lugar do Coisa!)

Polêmico, de vez em quando desanda a falar mal dos seus colegas de profissão, e já há algum tempo anda meio afastado do sucesso. Há quem diga que Byrne parou no tempo, e que sua forma de contar histórias não acompanhou as mudanças da linguagem e da narrativa do meio ds hqs.

Mas recentemente, ele voltou a publicar sua série Next Men, sobre um grupo de Super-heróis que volta de uma espécie de realidade virtual. A série, publicada agora pela editora americana IDW, estava paralizada desde os anos 90.

Será que vale a pena? Seus desenhos parecem menos detalhistas, mas sou fã do Byrne, e gostaria muito que ele voltasse a lançar histórias como antigamente.

Trailer russo de X-men First Class

O trailer russo para o novo filme dos X-Men tem algums cenas diferentes do primeiro liberado, que você também pode conferir aqui.

Sei lá, apesar de não ter muito a ver com os mutantes dos gibis, estou esperançoso de que vai ser legal- não tem como ser pior que X-men origins: Wolverine, tem?

atualizando:

Os últimos poster oficiais divulgados, com a silhueta de Xavier e magneto e suas cabeçonas no meio não ficaram legais:

Mas esse fan-poster, do usuário thegruffman do deviant art ficou muito bom. A fox devia desencanar das imagens ruins que liberou até agora e usar só esse cartaz

Estréia em 3 de junho.