Eisner/Miller.

Terminei recentemente de ler um livro muito legal, que coleta conversas de Will Eisner e Frank Miller, quadrinhistas fantásticos. A obra já tem mais de dez anos, e digo que vale muito a pena tanto pra quem é leitor de quadrinhos como para quem é quadrinhista. Eles discutem vários aspectos interessantes do meio, desde o uso de balões nas hqs ( um trecho da conversa aparece na minha ilustração) quanto o próprio formato em que hqs são impressas. Mas vou aproveitar o livro para comentar a última polêmica envolvendo o Miller.  Continuar lendo

Top10- hqs favoritas da Poltrona.

Listas! Nada mais nerd do que listas! Neste Top 10, a Poltrona escolhe não as melhores histórias, mas as preferidas deste que escreve. Como critério básico, resolvi listar só histórias em páginas e não em tiras ( do contrário, seria dificil “Calvin e Haroldo” não ficar em primeiro, rs). Também considerei histórias grandes divididas em várias edições como uma só.

Lá vai: Continuar lendo

Will Eisner- profissão cartunista

Aproveitando que o último post foi sobre o mestre, comento aqui também o lançamento em dvd do documentário “Will Eisner- profissão cartunista”(R$ 36,50) pela Rob Digital, no começo de Janeiro. O filme é uma produção nacional dirigida por Marisa Furtado de Oliveira e Paulo Serran, e é uma chance de conhecer mais sobre o criador( e, por tabela,  uma aula sobre como fazer quadrinhos). Vi a notícia no Universo HQ.

Aproveito também para relembrar(idéia que tive nos comentários do post anterior) algumas das incríveis primeiras páginas que Eisner criava para as histórias do Spirit, que já de cara prendiam a atenção e introduziam o leitor na trama:

no DeLorean: Um sinal do espaço

Will Eisner, um dos maiores mestres da história dos quadrinhos, é mais conhecido pelas suas histórias do personagem Spirit e pelas suas crônicas do cotidiano urbano( sempre com toques autobiográficos) como em “O edificio”, por exemplo. Mas aqui, relembramos uma obra com uma temática diferente das demais: Um sinal do espaço.

Feita nos anos 80, a obra é fortemente inserida no seu contexto histórico, a guerra fria. Um laboratório de Astronomia dos EUA recebe um sinal de rádio vindo do espaço, contendo uma sequência  com os números primos. Assim, finalmente a Terra obtem a confirmação de vida inteligente em outro planeta; mas decidir o que fazer com a informação torna-se um problema, quando EUA e URRS, as duas super-potências, transformam tudo em uma disputa que também envolve outros grupos de pessoas com interesses próprios.

Eisner constrói uma história grande, com várias sub-tramas, que vão desde a criação de uma nova forma de vida até as relações do governo americano com a máfia. Orquestrando tudo, está George Macredy, presidente de uma companhia conhecida como Multinacional, que tem interesse em, claro, dinheiro. No seu caminho está Jim Bludd, um cientista idealista que acredita que o contato com o outro planeta, Bernard(melhor nome de planeta que eu já vi), deve ser um esforço conjunto da humanidade ou então simplesmente não deve acontecer. Junte a isso uma seita religiosa, o povo da estrela, que deseja emigrar para o novo mundo; um ditador africano picareta; e outras pessoas com seus interesses egoistas próprios da ignorância humana, e temos uma hq que vale a pena.

O enfoque aqui não está em como este novo planeta será diferente (já adianto que nem o novo mundo, nem seus habitantes aparecem), mas sim em como seria o impacto desta descoberta entre nós humanos.

Para contar uma história tão complexa em um livro com pouco mais de 100 páginas, Eisner se vale de diversos artifícios narrativos, o que só agrega valor ao trabalho.Os coadjuvantes são bem desenvolvidos, mas ele sempre consegue pesar essas tramas individuais de maneira que não atrapalha a história, como na página abaixo sobre o voluntário para viajar para o planeta Bernard, e como ele se junta ao povo da Estrela:

Assim, ele consegue dar conta de vários temas: intrigas politicas, espionagem, ficção cientifíca, dilemas pessoais e morais.

Publicado no Brasil em 1991, pelo selo Graphic Album da editora Abril, o livro é colorido( com a colaboração de André LeBlanc) e merecia uma republicação por aqui.