Falando do Quarteto Fantástico.

quarteto-poster

Nem tinha comentado por aqui, mas o Quarteto Fantástico (aquele filme polêmico do qual ninguém sabe muito bem o que esperar) está prestes a estrear. E vem aí com um monte de rumores de refilmagens, problemas entre o diretor e o estúdio, boicotes de Marvel – que em uma manobra pra lá de idiota cancelou o gibi do meu grupo favorito para não divulgar o filme.

Mas vamos lá, sobre os trailers em si, o que eu vi me parece…

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Marvels

” os transeuntes haviam lido histórias nos jornais, rido um pouco e deixado de lado. mas uma coisa é ler a respeito…

…e outra é encarar o impossível face a face.”

A frase acima, dita pelo protagonista de Marvels, dá o tom da obra que lançou Alex Ross à fama. Escrita por Kurt Busiek,a série parte do principio de imaginar como pessoas reais interagiriam com os elementos fantásticos dos super-heróis. Mas antes de falar da história em si,vale relembrar o lançamento da sua primeira publicação no Brasil, pela editora Abril em 1995. A premissa da história era diferente para a época: acompanhar o nascimento do universo marvel na era de ouro indo até a era de prata, pela perspectiva de um homem comum. Tudo isso representado pela arte foto-realistíca de Alex Ross. E a edição nacional fazia questão de gritar que aquele era um produto diferente. Impressa em couche de ótima qualidade, com capa cartonada, as revistas (era uma mini-série em 4 partes) contava ainda com uma contracapa em acetato, na qual constava apenas o titulo. Assim, a capa destacava totalmente a arte de Ross, sem logos, letreiros ou nada além das ótimas ilustrações.

fotos da edição antiga:

Provavelmente, um produto gráfico tão bem acabado era inédito nas bancas até então. A panini relançou a  saga encadernada em capa dura, com extras, mas não tem o mesmo impacto que a antiga publicação.

A História

No primeiro volume, “uma era de maravilhas“, acompanhamos a vida do fotógrafo-jornalistíco Phil Sheldon, que vive em Nova York na época da segunda-guerra mundial. Prestes a se casar, ele tenta uma autorização para viajar para a Europa como correspondente de guerra, tentando cresecer na carreira. Mas o surgimento do Tocha-humana(em sua versão andróide,o personagem foi o primeiro herói marvel), Namor e outros super-heróis acabam deixando-o confuso, já que agora o mais interessante estava acontecendo bem ali, na sua cidade. É bacana a maneira como Kurt Busiek mostra o assombro que o surgimento desses seres causaria no mundo real; um misto de descrença, medo e admiração, a medida que Sheldon e outras pessoas tentam entender o que se passa com o mundo, podendo fazer nada além de esperar e observar. E também apresenta uma explicação interessante para o ódio de J.J.Jameson  pelos aventureiros mascarados: seria realmente por acreditar que eles representam uma ameaça ou teria um outro motivo, menos nobre mas mais humano?

Da esquera para direita,Jameson( jovem), Phil Sheldon e o Tocha Humana(eles não sabiam que era ele)

“Monstros”,a segunda parte, já avança a história para os anos 60. Phil está mais velho, caolho (perdeu um olho cobrindo a luta entre Tocha Humana e Namor) e tem mulher e filhas para sustentar. Ele continua fascinado pelo fenômeno super-heróico, e tenta  publicar um livro com suas fotos, mas também tem que lidar com um aparente lado ruim das maravilhas(como ele chama os heróis): os mutantes. A história é inteira contada em primeira pessoa por Sheldon, e é interessante como o próprio personagem que não é uma pessoa preconceituosa, chega a temer e odiar os mutantes(ele atira um tijolo na cabeça do homem de gelo!) – no decorrer do capitulo, o fotógrafo questiona se esse ódio não vem do fato de que os mutantes são o próximo degrau da escala evolutiva, tornando os humanos ultrapassados.  Toda a questão é colocada em contraste com a idolatria dedicada pelas pessoas à sensação do momento, o quarteto fantástico, e o casamento de Reed Richards e Sue Storm. Já os X-Men eram para a opinião publica o lado ruim das maravilhas.

A terceira parte, “o dia do juízo final“, lida com a chegada de galactus a Terra. Quem leu a hq original sabe como o quarteto usou o nulificador total  para derrotar o gigante, mas Busiek mantém o foco em passar o que as pessoas comuns fazem quando algo próximo de um deus chega do espaço e anuncia o fim do mundo. tudo ganha uma dimensão grande demais, quase inexplicável, e o leitor acompanha os acontecimentos sem ter total noção do que está acontecendo.A sequência de páginas que mostram Phil Sheldon tentando chegar em casa, intercaladas pelas splash-pages com o confronto entre quarteto, o surfista prateado  e Galactus são fantásticas, e emblemáticas disso.

O final da história chama-se “o dia em que ela morreu” , e conta a história da morte de Gwen Stacy, a namorada do homem-aranha assassinada pelo Duende Verde.

A saga de Phil Sheldon é finalizada deixando nitídas as fases pelas quais ele passou nos quatro volumes, indo do medo à admiração por algo que era maior que ele,até o momento em que ele entende que as maravilhas que ele acompanhou são na verdade tão humanas quanto ele. E Busiek e Ross usam para isso o mais humano dos personagens, o Homem-Aranha,em um momento emblemático da trajetória do personagem: aquele em que ele falha.

Marvels foi mais do que uma homenagem e registro histórico da história do universo marvel, é uma grande história que aproxima os mitos contemporâneos presentes nas hqs às pessoas comuns, desenvolveno o lado mais humano do gênero de super-heróis. Para conseguir esse efeito, a história de Kurt Busiek funciona em sinergia com a arte pintada de Ross. Nem no mais realista filme de super-heróis tivemos algo tão próximo de evocar a reação que a existência de super-seres despertariam quanto nessa história. Para demonstrar, fique com o quadrinho abaixo, que encerra o texto:

Libertem a Latvéria!!!

A geopolitica do universo Marvel é bem interessante, com os territórios e paises que não existem no mundo real, como a terra selvagem, Wakanda e o foco deste post, a Latvéria. Nos quadrinhos, a Latvéria é um país da Europa governado por Victor Von Doom, o Dr.Destino, principal inimigo do Quarteto Fantástico e um dos principais vilões do universo de personagens da editora. É um pesonagem bacana; um déspota que domina duas disciplinas,a ciência e a magia, sempre na busca por mais poder.

E em uma notícia que vi no blog dos quadrinhos ,  alguns leitores ( vai saber como isso começou) criaram no Twitter um movimento que reflete a atual situação politica da Terra do mundo real, imaginando como seria um movimento pela libertação da Latvéria. Elaboraram de um jeito bem divertido, pensando até em uma capa ficticia para mostrar como isso seria retratado no mundo real. Pra quem quiser ver as frases #latveriafree

o maravilhoso mundo nerd 🙂

John Byrne

Um dos maiores nomes das hqs americanas dos anos 80, Byrne nasceu na Inglaterra e se mudou ainda criança para o Canadá. Um grande desenhista(bastante influenciado pelo grande Jack Kirby), tornou-se responsável, ao lado de Chris Claremont, pela melhor fase dos X-men, como histórias como ” a saga da Fênix” e “dias de um futuro esquecido. Depois de brigas com o escritor Chris Claremont, o artista deixou o titulo e passou a escrever e desenhar o Quarteto Fantástico( cuja fase é na minha opinião é uma das melhores hqs de super-heróis de todos os tempos)e se firmou também como roteirista.

Ele foi responsável por reformular o Superman nos anos 80 no período posterior a “crise nas infinitas terras”, causando mudanças profundas e polêmicas em relação a como era o personagem na era de prata.

Byrne trabalhou com praticamente todos os personagens de sucesso das duas maiores editoras, DC e Marvel: Batman, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha, Liga da justiça, Vingadores, os novos deuses, entre outros. Também conseguiu reestabelecer personagens de segunda, como na sua divertida fase escrevendo a Mulher-Hulk  (ele até a colocou no Quarteto fantástico, no lugar do Coisa!)

Polêmico, de vez em quando desanda a falar mal dos seus colegas de profissão, e já há algum tempo anda meio afastado do sucesso. Há quem diga que Byrne parou no tempo, e que sua forma de contar histórias não acompanhou as mudanças da linguagem e da narrativa do meio ds hqs.

Mas recentemente, ele voltou a publicar sua série Next Men, sobre um grupo de Super-heróis que volta de uma espécie de realidade virtual. A série, publicada agora pela editora americana IDW, estava paralizada desde os anos 90.

Será que vale a pena? Seus desenhos parecem menos detalhistas, mas sou fã do Byrne, e gostaria muito que ele voltasse a lançar histórias como antigamente.

Future Foundation

Imagens do Homem-Aranha em traje de Reveillon:

Tá, a piada foi ruim, mas é só para avisar que se você acompanha as histórias do Quarteto Fantástico pelas revistas que saem pela Panini, daqui para baixo pode ter spoilers.

O tocha humana faleceu (quanto tempo será que demora para ele voltar?he) em uma das histórias. Esse e outros eventos levaram ao “fim” do Quarteto fantástico, que agora se tornou a “Fundação Futuro” . Até mesmo a revista “Fantastic Four” foi  substituida por “Future Foundation”, e a idéia aqui é focar nas explorações cientifícas do grupo, ao mesmo tempo em que os personagens irão interagir mais com o resto do universo Marvel, segundo o escritor do titulo Jonathan Hickman . A surpresa fica por conta do substituto do Tocha Humana no grupo, o Homem-Aranha. Veja abaixo mais ilustrações dos personagens, que agora passam a usar trajes brancos, com um simbolo formado por 3 hexagonos(que me lembram os plugin suit do mangá/anime Neon Genesis Evangelion):

Já há algum tempo deixei de ler histórias de super-heróis. Além do problema com a cronologia, também não gosto da direção que têm dado ao gênero nos últimos anos. Querem tanto aprofundar os supers para que  sejam levados a sério que esquecem de contar boas histórias. Claro que há excessões, e essa nova fase com a familia mais famosa do universo Marvel me despertou interesse. Não acho ruim a entrada do Aranha no grupo, além da presença mais constante de Franklin e Valéria, filhos de Reed e Sue Richards e o guri do Quarteto Futuro. Mas se a idéia é aumentar a interação do outrora quarteto fantástico com o resto dos personagens da editora, talvez fosse mais interessante adotar uma estratégia do tipo “Brave and the bold”(revista da DC que reune heróis diferentes a cada edição). Assim, poderiam fazer uma rotatividade de personagens que se revezassem no lugar do Tocha Humana, e não apenas o Homem-Aranha. Mas acredito que o tom de ficção-cientifica que querem exarcebar (o Quarteto sempre teve…) pode ficar muito legal. E seria bacana se o tom da série fosse como uma mistura de “Fringe” com aqueles desenhos antigos de aventura da Hanna-Barbera!!