Enquanto isso, nas bancas de revista(abril-maio)…

inescrito 7

É isso, sempre na busca pelos quadrinhos legais que podem ser encontrados nas bancas de revista.

Dessa vez tem fumetti, mangá, comics… e até super-heróis!!!

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Morre Sergio Bonelli.

Uma nota triste na Poltrona. Faleceu hoje Sérgio Bonelli, italiano responsável pela Bonelli editore. Sérgio era filho de Gian Luigi Bonelli, (por sua vez,o criador do personagem Tex) e criou os personagens Zagor e Mr. No. Mas mais do que isso, Sergio foi responsável pela criação de um modelo de publicação de quadrinhos que até hoje vende absurdos na Itália. Sua editora publica ainda outras grandes personagens, como Dylan Dog, Martin Mistery, Nathan Never, Júlia, Mágico Vento e outros. Meus favoritos: Dylan Dog e Mágico Vento, excelentes.

Sergio faleceu aos 78 anos, deixando esse legado incrível nas hqs.

Mágico Vento 101

Este número de Mágico Vento traz um aumento da quantidade de páginas, de 100 para 130, que vai se manter nas edições seguintes.

Nesta história, chamada “bandeira branca” acompanhamos o fim das batalhas entre indios e brancos pelas montanhas negras. Na verdade, o confronto mesmo já foi decidido; o que vemos mesmo é Mágico Vento tentando ajudar seu povo adotivo a sobreviver  e escapar de simplesmente desaparecer. Agora, além das ocasionais tropas do exército, as tribos reunidas também enfrentam o frio do inverno e a fome. E mais tribos chegam buscando ajuda e necessitando compartilhar as provisões de Cavalo Louco e outros.

Além disso, alguns indios debandam para o lado adversário, o que deixa as coisas mais complicadas ainda: Será possível confiar nos acordos de paz oferecidos pelo exército?

Gianfranco Manfredi usa muito bem as páginas adicionais que sua criação ganhou. A primeira vista, pode parecer demais para uma história que parece um epilogo para as edições anteriores, mas é mais do que isso. O autor mostra desde o começo que não há chance de vitória, apesar de sucessos  pontuais dos indios (sim, eu sei que todo mundo historicamente sabe que os indios se deram mau na guerra), e conta a história de maneira a aumentar a angústia do cerco se fechando sobre os personagens. Habilmente, ele ainda deixa no ar eventos que se tem divergência da forma como aconteceu, como a morte de Cavalo Louco, mas consegue passar o que aconteceu na sua visão.

Este arco mais longo, que começou na edição de número 97, foi excelente.  A fusão de personagens e acontecimentos históricos com ficticios foi muito bem trabalhada, e a história sempre soa crível ao leitor. no fim da edição, ainda temos um texto de manfredi sobre o monumento dedicado a Cavalo Louco.

O autor diz que desdobramentos dos conflitos pelas montanhas negras irão aparecer nos próximos números, como o destino de Touro Sentado. Maaas, se quiser avançar mais ainda na questão do destino das tribos indigenas norte-americanas, recomendo como acompanhamento paralelo a ótima “Escalpo”(que se passa nos dias atuais, enfocando a vida em uma reserva e as tentativas de Dashiel Cavalo-ruim de prender um mafioso local, o chefe Lincoln Corvo Vermelho), publicada pela Panini na revista Vertigo. A imagem abaixo foi publicada na edição de número 12 da revista, e vem carregada de crítica: Uma pixação sobre as figuras entalhadas do Monte Rushmore, que fica nas montanhas negras:

A próxima edição de Mágico Vento retoma o tom mais sobrenatural da série, com um arco basedo na mitologia que servia de inspiração para o escritor de horror H.P Lovecraft.

Mágico Vento 100

Antes de falar da edição, uma pequena apresentação. O cara na imagem acima é Mágico Vento, outrora conhecido como Ned Ellis( e que tem a cara do Daniel Day Lewis). Após um acidente, Ned foi encontrado desmemoriado por um velho xamã Sioux , e passa a viver na tribo. Ned então muda o nome para Mágico Vento, adota o povo vermelho como seu, e, passados alguns anos,  se torna ele próprio um xamã.  Mágico Vento conhece o jornalista Willy Richards, que por sua semelhança com o famoso escritor é chamado de Poe. Os dois passam a percorrer o velho-oeste em histórias que misturam elementos sobrenaturais com fatos e personagens históricos.

Esse é mais ou menos o básico da ótima história criada por Gianfranco Manfredi para os quadrinhos italianos da editora Bonelli, que é publicado há um bom tempo no Brasil pela Mythos. e agora, chega às bancas a edição número 100, especial em cores. Esta é a penultima parte de uma trama maior, que começou no número 97. A trama relata a guerra entre indios e brancos pelas montanhas negras.Uma das batalhas, retratada no número 99, foi a de “Litlle Big Horn”, na qual pereceu o general George Custer, famoso personagem histórico do velho oeste.

Claro que essa saga não é totalmente fiel aos acontecimentos históricos, fato admitido por Manfredi nos textos que abrem as edições (ainda mais no caso da morte de Custer, que possui várias versões diferentes e até os historiadores divergem neste assunto), mas não é diferente do que se vê na maioria dos outros filmes e romances históricos. No número 100, acompanhamos a morte de outro personagem importante do oeste: o pistoleiro caçador de recompensas Wild Bill Hicock.

Quando lemos uma edição de cada vez deste arco, parece até estranha a forma como esses acontecimentos, de mortes de personalidades famosas da época  são tratadas. Apesar do destaque, parece não haver o drama e a atenção que acontecimentos desta magnitude deveriam ganhar, porque estes são mantidos fora do foco principal, como componentes dentro de uma série de acontecimentos. Tudo faz sentido quando prestamos um pouco de atenção ao titulo deste número: “O crepúsculo dos heróis”.

Na trama, acompanhamos Mágico Vento ajudando os indios nas batalhas, e Poe em Deadwood (alias, o seriado sobre a cidade vem sendo exibido no tcm à 00:00, mas eu nunca consigo assistir…) tentando obter noticias sobre os confrontos, e sobre a posição de Washington em continuar ou não com a guerra. É lá que Wild Bill é assassinado pelas costas em uma mesa de pôquer (isso não é spoiler!), e Poe tenta fazer com que seu assassino tenha um julgamento justo e não seja apenas linchado.

Por sua vez, Mágico Vento começa a ter visões que parecem antecipar a morte de Cavalo Louco, e passa o  capitulo tentando impedi-la. mas pode haver um traidor entre os Sioux…

Fica claro após o número 100 que Manfredi não busca retratar  um aspecto heróico das personalidades do oeste, sejam os brancos como wild Bill e Custer, sejam os indios como Cavalo Louco ou Touro Sentado. Estes são mostrados como personagens defendendo suas visões.

É como se o autor tentasse dar conta de todo o fim de uma época, que marcou a quase extinção dos indios norte-americanos.Manfredi faz questão de levantar ainda os tratados quebrados pelo governo desrespeitando os indios, para garantir a vitória contra um inimigo já em desvantagem e que tentava manter suas terras.

Assim, se o titulo “crepusculo dos heróis” pode, a primeira vista fazer menção aqueles que se destacaram neste momento histórico, é na verdade sobre as nações indigenas, que foram sucetivamente desrespeitadas e massacradas, como o próprio Poe diz.

Quanto aos aspectos narrativos, Manfredi intercala com grande habilidade as duas linhas de histórias que compõe a trama, com Poe e Mágico Vento, e os diálogos são igualmente inspirados. O responsável pelos excelentes desenhos é Parlov (que desenhou algumas hqs do Justiceiro de Garth Ennis). O colorido acabou sendo uma atração a parte. Gosto do preto e branco, forma como os quadrinhos italianos são publicados, porque realça as soluções dos desenhistas usando apenas o nanquin. mas as cores funcionaram muito bem  neste número, e ajudam a revista, impressa em formatinho e papel “tosco” a se destacar quando folheamos revistas nas bancas. olha a capa aí:

No próximo número, se encerra o ciclo das batalhas pelas montanhas negras, e a revista passar a ter 132 páginas(antes eram 100).A seguir, segundo o texto que abre a edição, virá um ciclo de histórias que fará referências as lendas que inspiraram o escritor de horror Lovecraft. Parece que voltarão ao tom  de faroeste sobrenatural que funciona muito bem em Mágico Vento ( e que a DC nunca conseguiu fazer direito com o Jonah Hex), o que também é muito bom. Mágico Vento continua sendo uma das melhores hqs publicadas no Brasil.

J.Kendall e Mágico Vento

A ótima revista “J.Kendall- as aventuras de uma criminóloga está em vias de ser cancelada.  É uma pena, pois a criação de Giancarlo Berardi ( Ken Parker) é uma das coisas mais inteligentes publicadas em bancas.  A principio, a editora Mithos  tem programado o lançamento da edição 71 em outubro, mas há chance de escapar do cancelamento caso as vendas aumentem.  por isso, aqui vai o post em tom de campanha…

As histórias da revista giram em torno de Júlia Kendall, criminóloga que atua em conjunto com a policia de Garden City. O roteiro inteligente  envolve um mistério que quase sempre se resolve naquela edição mesmo, de 130 páginas. razões para ler J.Kendall, sendo ou não um leitor de quadrinhos:

-Se você é fã de livros de suspense com tramas detetivescas, com personagens cativantes, essa revista supre bem a falta de produções legais do gênero (é mais interessante do que livros do Dan Brown, por exemplo).

-como são raras as histórias que precisam de mais de um volume para serem concluidas, você não precisa  ter medo de pegar o bonde andando, como acontece com a maioria dos quadrinhos em banca. geralmente cada volume contém uma narrativa completa. e também não existe uma cronologia complexa. Por exemplo, não é necessário saber que há 20 edições atrás, fulano encontrou o anel vermelho e isso vai ser importante no capitulo que vai sair daqui a seis meses.

– se você gosta de séries de tv, também vale a pena. Os personagens são muito bem caracterizados.As vezes a sensação é de assitir um episódio de uma série dramática como “House” ou “Law and Order”.  Fora que é legal perceber as referências usadas no visual dos personagens – Audrey Hepburn para a Júlia, John Malkhovich no caso do Tenente Webb, Woopy Goldberg para a amiga Emily, entre outros.

– Para quem gosta de quadrinhos e curte fazer suas próprias histórias, é uma aula. A narrativa segue a estrutura rígida de outros quadrinhos italianos de três tiras de quadros por páginas.  Mesmo assim, a história consegue prender criando um ritmo com closes, enquadramentos, sequências,que se estendem pelas páginas.É o feijão com arroz das hqs feito com muita habilidade.

A revista é, sim, um pouco cara, R$ 8,oo por uma publicação de 130 páginas em preto e branco, formatinho. Mesmo assim compensa.Deixe de comprar aquele mangá ou super herói que faz anos que é a mesma coisa e invista aqui. vale a pena.

E, se puder, também dê uma olhada em Mágico Vento, também da Mithos. Gianfranco Manfredi consegue fazer uma história de faroeste com alto teor de elementos sobrenaturais de um jeito crível- coisa que a Vertigo tentou, tentou, mas não conseguiu com Jonah Hexx. E tudo se mistura a fatos e personagens históricos, como o general Custer, Touro Sentado, e outros. Mágico Vento será assunto de um outro post logo…