Ricardo Lobinho Barbieri.

Barbieri2

No +quadrinhista de hoje, meu camarada Ricardo Lobinho Barbieri, um dos desenhistas da Ribeirão Preto em quadrinhos ! Ele fala um pouco do seu trabalho, influências e compartilha imagens de alguns dos seus projetos. Vamos lá ! Continuar lendo

Aniversário do rei.

Não, claro que não é o Pelé. Nem o Roberto Carlos ou o Elvis.

Hoje, Jack Kirby, o rei dos quadrinhos, completaria 94 anos se ainda estivesse vivo. Kirby é o responsável pela criação de vários personagens que estão por ai fazendo sucesso até hoje, como Capitão América, Thor, X-men, Darkseid e outros. O próprio nome deste blog é inspirado na cadeira que Metron, personagem dos Novos Deuses de Kirby usa para singrar o continuum espaço-tempo.

uma versão minimalista da poltrona no traço de kirby:

Por isso gostaria de ter escrito mais sobre o autor aqui (sem ele, provavelmente esse blog nem existiria e eu levaria uma existência diferente, talvez como um jogador de futebol milionário, rs)mas o tempo foi curto. Mesmo assim, 28 de Agosto é quase o dia do padroeiro do blog, e não dá pra deixar passar batido 🙂   Jack Kirby faleceu em 6 de fevereiro de 1994, em decorrência de um ataque cardíaco.

Aproveite o dia de hoje para ler (ou reler) os textos da Poltrona sobre algumas criações do rei:

As homenagens ao Rei

Capitão América: o super-soldado de Lee e Kirby

Thor: o deus do trovão de Stan Lee e Jack Kirby

Além disso, é altamente recomendável a leitura da revista “mundo dos super-heróis” n° 25, com um dossiê sobre o autor.

o super-soldado de Joe Simon e Jack Kirby.

Com um cruzado de direita no queixo de Adolf Hitler, o roteirista Joe Simon e o desenhista Jack Kirby apresentaram ao mundo seu super-soldado. O Capitão América foi o produto  resultante da mistura de idéias que estavam ali fervilhando naquele contexto de 1940, durante a segunda guerra mundial.os super-heróis pipocavam aos montes,graças ao sucesso do Superman; e pareceu uma boa idéia para a editora Timely colocar um deles no front que detinha a atenção do mundo.

Mas já na concepção, além de ser um veículo de propaganda para os EUA, e um motivador para os tempos dificeis, o Capitão guardava alguma semelhança com parte de seus leitores: magrelo, fraco e oprimido, Steve Rogers recebia um soro experimental que o fazia atingir o ápice da capacidade humana. Assim, Rogers ia para a guerra, acompanhado de seu parceiro mirim, Bucky (como  vários outros heróis da época; uma estratégia para aumentar a identificação com os leitores).Representava os ideais da época de tomar o controle da situação ( o que na verdade continua atual, se pensarmos que o frank Miller colocou um cara de uniforme esmurrando um de turbante na capa de uma revista dias atrás). Mas não deixa de ser curioso que na visão um tanto simplificada de Kirby e Simon, o Capitão América encarnasse exatamente o ideal de perfeição do regime de Hitler: loiro, alto, forte e rápido, e enfrentasse um vilão nazista que utilizava uma horrenda máscara de caveira. Ao contrário das preferências do partido totalitário, que gostavam  da arte clássica e detestavam a, para eles grotesca, arte moderna-vale assistir como dica o documentário “arquitetura da destruição”.

Apesar do sucesso, com o fim da guerra as vendas cairam e a revista do personagem acabou cancelada. A timely tentou retomar suas histórias na década de 50, com outros autores que não Simon e Kirby, e não funcionou. Só nos anos 60 o personagem voltou a fazer sucesso, quando Jack Kirby, em conjunto com Stan Lee, ressucitaram o Capitão América e o colocaram nos Vingadores. A explicação para o personagem ressurgir nos anos 60 exatamente como era antes é que durante um confronto com o Barão Zemo, o avião em que estavam lutando caiu e o Capitão acabou congelado em um iceberg até que os Vingadores o descongelaram. Nesse confronto, ocorreu também a morte de Bucky (mas como todos sabem, ninguém morre de verdade nos gibis de super-heróis, e muitos anos depois ele retornou  sobre a identidade secreta de Soldado Invernal).
Além de Zemo, vale destacar outros dois inimigos do Capitão: o geneticista Arnin Zola(dado a criar clones de Hitler e aberrações em geral) e claro, o principal vilão: O Caveira Vermelha.

Johann Schimdt teve uma infância trágica: sua mãe morreu ao lhe dar à luz, e por isso seu pai alcoolatra tentou matá-lo. Viveu fugindo parte da vida, alimentando um ódio contra tudo, até o dia em que Adolf Hitler o encontrou em um hotel e decidiu transformá-lo no maior agente do nazismo, o Caveira Vermelha. No fim da guerra, foi atingido por um gás experimental que o manteve em animação suspensa, despertando anos depois para continuar os ideais nazistas e sua luta contra o Capitão. Diversas vezes o Caveira tentou se apoderar do Cubo Cósmico, um artefato criado pela IMA(idéias mecânicas avançadas) capas de alterar a realidade. passou por algumas modificações: se antes usava uma máscara de caveira, o vilão acidentalmente inalou seu pó da morte e ficou com o rosto igual ao da máscara.Atualmente ele está morto (maaas a gente sabe que isso não dura muito…).

O Capitão América também passou por épocas dificeis- liderou um grupo de personagens contra a lei que obrigava os heróis a revelarem suas identidades secretas, e acabou confrontando o Homem-de-ferro. No fim, o próprio Capitão foi dado como morto.  nas hqs publicadas no Brasil atualmente, Steve Rogers está de volta e atua como um mediador entre o governo dos EUA e os super-heróis, tendo abdicado de sua identidade como Capitão América em prol de Bucky Barnes, seu ex-parceiro. Falando nisso, outros já vestiram as botas engraçadas do personagem antes;  vale destacar Isaiah Bradley, o Capitão América negro, que apareceu na história Truth, até hoje inexplicavelmente inédita no Brasil.

Agora, pontos mais polêmicos:

Quando criança, não ligava muito para o fato do personagem se vestir de bandeira dos EUA. Depois, isso começou a me incomodar, claro. Mas hoje em dia, olhando o panorama geral do personagem de forma mais clara, é possível perceber que ele foi criado, como todos os heróis da era de ouro dos comics, para ser algo que funcionasse como escape do mundo real.-quer dizer, dois autores judeus colocam na capa de uma revista alguém que é tudo que eles não são, esmurrando Adolf Hitler, o que eles nunca poderiam fazer. Assim sendo, como todos os outros super-heróis norte-americanos, acabou representando muito da cultura deles- e nem sei se teria como ser diferente. O mais curioso é que embora em algumas histórias o Capitão represente o país, nas suas tramas mais interessantes o personagem afirma representar não o que as coisas são, mas o ideal de como elas devem ser. Mantendo-se fiel às suas convicções, o Capitão América já se voltou contra o governo de seu país diversas vezes, valendo destacar o periodo em que ele foi “demitido” do cargo de simbolo de nação, adotando um uniforme negro; e mais recentemente durante a guerra-civil citada acima, quando liderou um exército de heróis rebeldes contra uma lei estabelecida pelo governo que ele acreditava ser contrária à democracia. O personagem é um lider nato, dada sua experiência e sabedoria.

Ou seja: antes de torcer o nariz para o Capitão sem ler nada dele, vale a pena tentar conhecer um pouco.Ele não é ruim nem “raso” à priori, como muitos dizem: o que faz com que ele seja mais ou menos interessante, como em todos os outros super-heróis, são seus autores e as histórias que criam para eles.

E como dica, vale muito a pena a ótima Biblioteca histórica marvel: Capitão América, publicada aqui pela panini, com Stan Lee e Jack Kirby em plena forma.

Kirby e as homenagens

Jack Kirby foi sem dúvida o mais prolífico criador de conceitos nos quadrinhos americanos. Ele praticamente criou ou esteve envolvido de alguma forma com todos os personagens que surgiram na Marvel nos anos 60, e até hoje é uma influência para aqueles que trabalham nos comics-caramba, o nome deste blog é em homenagem ao rei!

Naturalmente, depois de sua morte, muitas autores buscaram homenagear o mestre em seus trabalhos, mas estes que destaco aqui foram diretamente criados por Kirby:

Em Galactic Bounty hunters, Lisa, a filha do desenhista, resolveu trabalhar alguns conceitos do pai que não puderam ser explorados totalmente. Assina os desenhos Michael Thibodeaux, que trabalhou com Kirby em Physical Force, o ultimo trabalho do rei. A história é sobre um garoto que descobre que as obras de ficção cientifíca do seu pai são autobiográficas, o que  o envolve em uma grande trama interplanetária.

Essa história foi publicada anos atrás e ganhou uma reimpressão recentemente.

Saindo agora, e que realmente merece destaque, é a hq Kirby Genesis, escrita por dois grandes autores, Kurt Busiek e Alex Ross, com capas do último (os desenhos são de Jack Herbert).

Na trama, uma sonda enviada ao espaço retorna causando grandes mudanças na vida de três pessoas. O interessante é que Busiek e Ross usam personagens menos conhecidos de Jack Kirby,mas que foram trabalhados por ele em editoras como a Pacific.  Kirby Genesis começou a sair nous EUA agora, pela Dynamite-fiquei curioso para ler.

Considerando as homenagens digamos “menos diretas”, vale mencionar a hq Neutral World, do brasileiro Joe Bennett com auxilio do roteirista Ron Fortier.

Não sei muito o que esperar de Neutral World, fiquei curioso pra saber mais. Mas sobre “galactic…” e Kirby genesis, é engraçado reparar que o visual parece um tanto datado, quando comparado com o que é publicado hoje. mesmo assim, é um grande barato ver essas distorções de anatomia e aparelhagens malucas que os personagens usam. Espero que não valha só como curiosidade e que as histórias se sustentem sozinhas; tenho grandes expectativas para a obra que reúne de novo os autores de marvels.

Thor-trailer 2!

Thor sentando a pua

Saiu o segundo trailer do filme do deus do Trovão da Marvel, que é bem mais empolgante que o primeiro trailer (que por sua vez já era muuiiito legal!)

Entendemos um pouco mais da história, e vemos o momento da chegada de Thor a Terra( ou melhor, Midgard, hehe) e seu encontro com Jane Foster (Natalie Portman). Este video também tem um pouco mais de humor( a cena da lanchonete em que Thor se comporta como um esnobe é muito engraçada). As cenas de ação também estão prometendo, como no momento em que Thor fica frente a frente com o Destruidor, o exterminador de deuses (dá pra ver os 3 guerreiros no fundo desta cena, do lado da Jane Foster).

Por tudo o que foi mostrado, parece que a produção acertou em cheio na caracterização, puxando um pouco para o visual do Jack Kirby.

A DC vem adaptando seus personagens à passo de tartaruga, muito provavelmente esperando o sucesso do filme do Lanterna Verde. Mas essa adaptação do Thor também me fez ter vontade de ver um filme dos Novos Deuses, da DC, e também criados pelo jack Kirby-mas sei que isso é praticamente impossível 😦

Esse video aumentou as expectativas para o filme, espero que não decepcione…

Chaos War: Thor e J.M Dematteis

Enfim, depois de um longo e tenebroso inverno, um post novo no blog.

E, em uma notícia interessante, no meio da profusão de lançamentos de seu novo mega-evento, Chaos war, teremos uma mini-série relacionada com o Thor. Em Chaos War: Thor, o deus do trovão enfrenta Glory, a personificação de todo um panteão de deuses de uma raça envolvida em uma guerra sem fim, e que o adora.Olha a promissora capa de Tommy Lee Edwards:

O que parece legal aqui é essa retomada do lado cósmico de Thor, que era uma das coisas mais interessantes nas histórias originais de Lee e Kirby. O Thor encontrava deuses de outros povos, aliens, máquinas e por ai vai, de um jeito que não parecia forçado; tudo acontecia de forma muito natural e coesa.  E mais legal ainda que quem escreve a história é J.M.DeMatteis, que fez a clássica “a última caçada de Kraven” com o Homem-Aranha, além de outras HQs legais com o personagem, que saíram por aqui no começo dos anos 90( ele também escreveu a injustiçada “Moonshadow” que será trazida de volta num Delorean em breve). Sobre “a última caçada de Kraven”, o curioso é que o autor a escreveu para ser uma história do Batman contra o Coringa, mas na época a DC já havia sido apresentada a uma trama similar, que também lidava com a sanidade dos personagens: “ A piada mortal”. E a editora optou por lançar a hq do inglês Alan Moore.  Depois, DeMatteis acabou lançando sua história, que foi publicada aqui em Contos de Batman: de volta a sanidade, em que o Coringa recupera a razão após pensar que matou o morcego.

Hoje,ele também escreve livros de fantasia, como Imaginallis. Veja o que ele disse sobre o Thor em seu blog.

Vi a noticia  sobre Chaos War no hqmaniacs.