Especial Flex Mentallo!

Flex-capa

Neste especial, o amigo Matheus Oliveira debruçou-se sobre aquela que Grant Morrison considera sua melhor obra e escreveu um texto muito estimulante! Flex Mentallo é uma máquina narrativa que ao mesmo tempo que conta a história, analisa o gênero e as convenções do gênero dos super-heróis de maneira profunda.

Este especial é um serviço de utilidade publica,  esquadrinhando e catalogando muitas das peças que Morrison usou para construir sua história, mas que passam despercebidas! Pedi ao Matheus que escrevesse um texto sobre a hq, mas ele ficou tão rico em detalhes que  foi necessário dividi-lo em duas partes.

Na primeira, a história é apresentada e as sutilezas da obra começam a ser desvendadas, encontrando coisas que só enriquecem o gênero dos super heróis!

Na segunda, vamos até vários pontos obscuros da trama, “descascando” as diversas camadas desta hq.

Então vá, e releia Flex Mentallo depois da análise do Matheus!

Flex Mentallo- Parte 1

Flex Mentallo- Parte 2

Especial Flex Mentallo :Parte 1!

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O texto a seguir foi escrito pelo meu amigo Matheus Oliveira, sobre a grande obra do escocês Grant Morrison! O texto original foi dividido em duas partes. A primeira trata da contextualização e se aprofundar nas primeiras camadas da hq.

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O novo Coringa…

Depois do grande reboot da DC, era esperado que eles tivessem grandes planos para o Coringa, um dos maiores vilões da ficção, que subiu ainda mais em conceito depois da versão cinematográfica interpretada por Heath Ledger.

O personagem apareceu já nas primeiras hqs pós-reboot do Batman, apenas para desaparecer por várias edições depois da chocante página mostrada acima. E eis que agora, meu vilão favorito retorna as hqs, modificado. Tem spoilers abaixo… Continuar lendo

DC+Aventura 3

falta de sensibilidade contemporânea e os super-heróis...

Estou mais do que atrasado com essa, mas vamos lá.Primeiro, a iniciativa da Panini, muito legal: já há alguns meses a editora tem colocado em bancas duas revistas, a Marvel+Aventura e a DC+Aventura. Histórias emblemáticas e curtas, ao custo de R$1,99. A iniciativa é válida, sem dúvida, embora não dê pra dizer se vai atrair novos leitores.

Agora, a edição em questão no post, a DC+Aventura número 3.A premissa(publicada originalmente em 2003) parte de um ponto muito interessante: quando Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o super herói mais famoso de todos, mais do que representar o ideal de perfeição fisíca dos seres humanos, o Superman era também o “campeão dos oprimidos”. Inicialmente, ele não socava alienígenas, robôs ou vilões sobrenaturais, mas sim representava a catarse e a chance de revanchismo que a dificil época que seguiu à grande depressão pedia. Então tome o “escoteirão” batendo nos senhorios que exploravam os inquilinos, bandidos inescrupulosos, valentões e por ai vai. Não dá pra contar muito sem entregar spoilers, mas é esse Superman, sintonizado com necessidades mais diretas das pessoas, que aparece nessa pequena hq, de forma misteriosa, contracenando com o atual Superman.

A história em si é bem resolvida. A representação gráfica do Superman “herói dos oprimidos” emula os desenhos originais da década de trinta: um herói não tão anabolizado, mas com as marcas clássicas da iconografia super-heróica: queixão quadrado, olhos pequenos, uniforme colorido. Além disso, a forma como a cor foi aplicada nos desenhos deste Superman remete ao processo de colorização na época, deixando o personagem todo “pontilhado”.Os desenhos de Derec Aucoin não chegam se destacar, mas também estão longes de serem ruins ou de comprometer a edição. E é muito interessante a reflexão que a hq abre sobre heroísmo: quem está certo, o Superman “durão” da década de 30 ou o bonzinho de hoje em dia? E até que ponto representar os anseios de um povo garante que ele está certo(bom,essa é uma reflexão minha, rs)?

Certo mesmo é que os R$1,99 gastos nessa revista valeram a pena, que é mais do que posso dizer da maioria dos gibis de super-heróis em bancas.

E certo também é que a Panini escolheu uma época muito interessante para lançar essa revista em bancas. Nos EUA, a DC relançou todo o seu uiniverso de personagens, desconsiderando anos de cronologia e apagando várias histórias de sua continuidade. Um dos objetivos é trazer novos leitores, que poderiam acompanhar as novas tramas sem precisar de um conhecimento enciclopédico, já que tudo começaria do zero de novo. Inclusive o Superman, posto nas mãos do escôces maluco Grant Morrison. O autor pretende re-adequar o personagem para a nova geração, tornando-o novamente interessante para os nerds jovens de hoje, que o consideram ultrapassado. Algumas mudanças são visuais, e dizem respeito ao uniforme: tiraram a cueca de cima da calça.

As principais mudanças, entretanto, são conceituais: Morrison quer um Superman mais durão, sintonizado com as necessidades das pessoas de hoje em dia. Um que tenha um senso de justiça mais extremado, que não seja tão bom moço. Muito parecido com o Superman criado em 1939.

Acho válido, tentar dar uma sacudida num personagem que não atrai mais como anteriormente. Mas sempre fico com a impressão de que o buraco é mais embaixo do que ” ah, ele é bonzinho demais”. Há um certo problema na dificuldade das pessoas de sentirem as coisas, e isso não ocorre apenas com super-heróis, ou mesmo nas hqs. Está nos noticiários, na rua, no bar da esquina; enfim, na forma como percebemos o mundo que nos rodeia e na postura com que vivemos.Isso tem se tornado cada vez mais aparente, todos parecem amortecidos, incapazes de sensibilizar com algo. Se um ditador é morto em rede internacional e parte do mundo aparece festejando(!), a reação da outra parte  é de quase indiferença: As duas reações causam estranhamento.Uma nota a mais no dia, que pode vir depois da noticia da separação do casal famoso do momento e antes da novela.Qualquer coisa que queira causar uma reação precisa ser bem impactante e gritar bem alto.

Focando nas hqs, costumo lembrar das “lutas gástricas” da hq chamada 100%, de Paul Pope, que de certa forma fala sobre isso.Nelas, os orgãos internos dos lutadores ficam aparentes durante o combate, tudo mais escancarado,não basta mais só o sangue saindo de um supercílio cortado.Ás vezes sinto que isso ilustra bem o que tem acontecido com as hqs de Supers…Desde a década de 70 foram feitas tentativas de tornar o gênero dos super-heróis algo adulto, um reflexo das aflições do mundo. Mas para chamar atenção, autores tem sentido necessidade de cada vez maior de se valer de estratégias impactantes  para chocar os leitores e provocar alguma reação. E tome tramas mais violentas, mortes de personagens famosos e revoluções que apagam décadas de histórias dos personagens.Conteúdo mesmo,nem sempre…

Voltando ao Superman, não acho que Grant Morrison esteja errado, acredito que sua estratégia irá funcionar; é um bom escritor, que produzirá histórias boas para o personagem. Entretanto, é uma medida que vai durar somente até que as pessoas necessitem de algo mais chocante. O verdadeiro problema parece estar fora das hqs; reside na capacidade das pessoas de sentirem algo para produzir uma resposta, não importa qual.Mas claro, antes de tudo, boas histórias colaboram muito para isso.

Enfim, paro por aqui porque sei que já fui longe demais neste texto, que deve ter ficado confuso. E ninguém merece essa filosofia barata, rs. Mas que tem incomodado, tem.

Documentário sobre quadrinhistas escoceses.

É possível assistir na integra no youtube o documentário realizado pelo programa Artworks para a BBC Scotland enfocando os quadrinhistas da Escócia. No vídeo, que tem quase 30 minutos, tem Grant Morrison, Mark Millar e Alan Grant. Ou seja, só caras convencidos (porém talentosos).

como está em inglês, verei só depois, quando estiver menos cansado. segunda a noite não vale.

Grandes astros Superman vai virar longa de animação

Em uma noticia bacana, que vi no Bleeding Cool, a série Grandes astros Superman, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, vai virar animação.

Considero essa a melhor hq de super-heróis em muito tempo. Os autores conseguem atualizar as idéias dos quadrinhos da era de ouro de um jeito que não pareçam ingênuas para o grande público, ao colocar um homem de aço que ao mesmo tempo que é super-ultra-poderoso, ainda é apenas um humano.A história vai de momentos em que o Super atravessa robôs gigantes no peito e na raça, à momentos como esse, que mostram a essência de um super-herói, um cara capaz de salvar pessoas :

e espero que se baseiem no traço bacana do Quitely para a animação. Olha que legal esses action figures baseados na série: