Noé- Preview da hq de Aronofsky e Henrichon.

Foi lançado na Bélgica “Noé”, o album de quadrinhos escrito por Darren Aronofsky, Ari Handel e desenhado por Niko Henrichon (de “os leões de Bagdá). Assim, a editora Le Lombard liberou um preview de algumas páginas  e também um trailer em video, abaixo no post. A história retrata o fim do mundo pela visão de Noé, mas conforme as imagens, é dificil dizer como vai se desenrolar a trama e até mesmo em que época ela se passa:

O plano original de Darren Aronofsky para a história era realizar um filme para o cinema, mas seu intento esbarrou nos custos. O que o levou a realizar a graphic novel para despertar o interesse de algum estúdio. Isso mantém em destaque a questão: com tantos filmes baseados em hqs surgindo, não é ruim para essa linguagem que ela possa  ser vista como algo menor quando comparado ao cinema? Ainda mais se considerarmos o recentemente lançado no Brasil Cowboys and aliens,cuja versão original dos quadrinhos é bem fraca, além de  outras obras.

Temos também nos EUA o recente desdobramento da Legendary, produtora de cinema, que acaba de lançar uma divisão voltada para a publicação de quadrinhos.

Bem, tudo depende das intenções e da competência dos envolvidos. A Legendary colocou como responsável por sua linha Bob Shreck, editor com ótimo relacionamento com grandes artistas. Embora o primeiro lançamento da nova editora tenha sido a paranóica”Holy Terror“, obra resultante do medo do “perdido” Frank Miller, os nomes dos próximos artistas envolvidos com a editora continuam a animar: Paul Pope, Matt Wagner e Simon Bisley.

O próprio Aronofsky lançou uma versão em quadrinhos de “A fonte da vida” anterior ao filme. Na ocasião, a produção havia sido cancelada, e o diretor viu a  graphic novel como uma chance de contar a história. Para isso, trabalhou em conjunto com o competente ilustrador Kent Williams, e a parceria resultou num ótimo livro. Muito além de ser um versão menor ou mesmo apenas uma “versão do diretor ” para o filme estrelado por Hugh Jackman.

Acredito que é interessante ver a mesma história contada em midias diferentes, desde que a linguagem esteja adequada as potencialidades narrativas de cada meio.

“Noé” possui uma premissa interessante, com um bom roteirista e a ótima arte de Niko Henrichon. Estou empolgado para ler a hq e para ver o filme, acreditando que os dois irão se sustentar como obras isoladas.

The Wrestler.

“Ama a tua vocação com paixão, ela é o sentido da tua vida.”

Auguste Rodin 
 A frase acima,de Auguste Rodin, cabe como uma luva em “The Wrestler” ( o “O lutador” no Brasil). Tá, não é exatamente um filme novo, mas vale falar dele mesmo assim.
Dirigido por Darren Aronofsky (de “a fonte da vida” e “cisne negro”), o filme conta a história de Randy “the ram” Robinson(Mickey Rourke), um astro de luta livre. Outrora um campeão famoso na década de 80,  décadas depois ele é apenas um lutador decadente que continua se exibindo em ringues por aí, graças ao “amor à sua arte”. Randy não tem dinheiro, e praticamente estragou suas chances de ter laços duradouros com outras pessoas. Mas tudo bem, porque ele é extremamente feliz espancando pessoas enquanto veste um colante colorido. A situação muda quando após uma luta dura ele tem um infarto, que o impossibilita de continuar sua carreira. Sem outra opção, “the Ram” tem que tentar juntar os cacos da sua vida pessoal: a filha que abandonou ainda criança e seu relacionamento com Cassidy, uma stripper (vivida por Marisa Tomei). Mas é dificil pra ele resistir à paixão pela luta, especialmente quando recebe uma proposta para um confronto com seu maior rival do passado, o “Aiatolá”.
Seria um drama edificante como esses que se fazem aos montes, não fosse o cuidado com que Darren Aronofsky conta a história, tendo todo o esmero para fazer com que o personagem principal guie a história pelas suas características. Randy Robinson conduz a trama com suas ações destrutivas, e não o contrário.  Além disso, não tem como não dar crédito a excelente atuação do Mickey Rourke, que interpreta o personagem com uma sinceridade assombrosa. Isso justifica a escolha de Aronofsky em filmar com a câmera na mão, graças ao carisma de Rourke. As vezes parece que ele vai atropelar a câmera e falar com você.
Mas retomemos a citação do inicio do texto. Desde o começo, acompanhamos a vida de Randy girando em torno da sua paixão, e ele de fato se dedica a isso. No começo, não faz sentido : caras se batendo, e se machucando de verdade pelo espetáculo(não vou dizer que as lutas são marmeladas, já viram o tamanho desses caras?). As cenas no ringue realmente incomodam, e é fácil achar que aquilo tudo é idiotice; e como não pensar, com dois malucos se machucando com um grampeador? Mas apesar de não ter mais o mesmo status de outrora, o personagem de Rourke continua adorando tudo isso, e continua se esforçando para ficar na ativa: tem todo o cuidado com seu visual,e procura ser simpático com seus fãs e com outros lutadores.
Quando é obrigado a parar, tudo desanda. Randy Robinson não é bom em se relacionar com pessoas: sua habilidade para lidar com lutas é inversamente proporcional àquela que lida com sua vida pessoal. E é aqui que se centra a questão principal do filme. Até que ponto você é aquilo que faz?
Há aquelas pessoas que são de certa maneira “incompetentes” para lidar com a própria vida,estragando sozinhas todas as chances que recebem. Acabam encontrando conforto naquilo que fazem, no que parte deles mesmos e não de situações externas ou de outras pessoas. É um alívio ter pra onde se voltar quando as coisas vão mal, seja um ringue de luta livre ou um blog de tiras (cof, cof).Mas há sempre o risco de se colocar todos os ovos numa mesma cesta. Afinal, quando por qualquer razão a vocação acaba, não sobra muito…
Enfim, a cena final do filme é extremamente agridoce. Um final feliz que não é feliz, por assim dizer(para “the Ram” é…), e um ótimo filme, pela condução da trama, pelas atuações ótimas e pelas reflexões que pode despertar.

Noé- hq de Aronofsky e Henrichon…

… Mas só em 2012. O diretor de cinema, Darren Aronofsky (que já havia se aventurado pelas hqs ao lançar “the fountain” com Kent Williams), agora vai trabalhar com o canadense Niko Henrichon( artista de “os leões de Bagdá”) em uma história sobre Noé.  Aronofsky vinha desenvolvendo há alguns anos atrás uma adaptação do personagem biblíco para o cinema (dizem que ele tem uma fixação por essa história). Será que depois ele usará o album para connseguir realizar o filme? De qualquer forma, seu primeiro trabalho em quadrinhos foi feito porque ele não conseguia um estúdio interessado para filmar “a fonte da vida”(que ele filmou depois com Hugh Jackman como protagonista), e o livro se sustenta sozinho, como uma espécie de versão do diretor.

página de The fountain ilustrada por Kent Williams (a hq não foi lançada no Brasil, só o filme)

Enfim, Aronofsky mostra mais uma vez que é um cara ligado em quadrinhos-ele vai dirigir o novo filme do Wolverine. E Niko Henrichon é realmente um ótimo artista. Então, vale a pena esperar(e depois procurar algum meio de ler “Noé”…).

Mas a Le Lombard, que publicará o Album, lançou um trailer da obra:

Confira também o site de Niko Henrichon.

vi a noticia no universoHQ

The Wolverine

por quê Darren Aronofsky parece parecia uma ótima escolha:

Esse é o titulo do próximo filme do personagem, novamente interpretado por Hugh Jackman, mas desta vez dirigido pelo talentoso Darren Aronofsky. Segundo o diretor, o filme não será uma sequência do filme “x-men origens: Wolverine”, uma produção com tantos erros que nem vale a pena falar.

o filme vai se basear em uma trama dos anos 80 escrita por Chris Claremont e desenhada por Frank Miller(alguns dos quadrinhos dessa mini-série acompanham este texto). Nela, Logan vai ao Japão em busca do amor de Mariko Yashida, filha de um clã tradicional e prometida à outro homem. Assim, Wolverine acaba se envolvendo com bandidos, ninjas e por ai vai. No filme, vão acrescentar mais alguns personagens, como o Samurai de prata, por exemplo, para engrossar a trama, o que vai gerar mais combates legais.

Admito que iria no cinema exclusivamente para ver o velho logan quebrando o pau com um monte de ninjas e yakuzas, então pode parecer até estranho à primeira vista a escolha de um diretor mais “cabeção” como o Aronofsky. Quer dizer, a principio o melhor seria contratar um roteirista competente e um bom diretor de filmes de ação para evitar os erros graves do filme anterior.Mas acho definitivamente que a escolha foi acertada. Antes de falar sobre as próprias habilidades de Aronofsky, vejamos o argumento que Chris Claremont usou para convencer Miller a desenhar a hq.  Na época, Miller ainda não era o quadrinista famoso que se tornou anos depois, mas disse que não tinha interesse em trabalhar em um personagem que não tinha nenhum atrativo além de não saber se controlar.

Mas então Claremont apresentou sua visão para o personagem: Wolverine não era só um cara raivoso, ele era praticamente um animal, guiado pelos seus instintos. Praticamente o avesso de um samurai, que segue um rigido código de conduta, muitas vezes indo contra o que realmente quer para seguir o que acredita. E pronto, era sobre esse eixo que a história ia girar, com Logan pela primeira vez questionando não só quem é, mas que direção dar para a sua vida.Não apenas seguir seu instinto, mas se esforçar para seguir um objetivo e crescer.  Miller foi convencido.

Agora, consideremos os outros filmes do diretor escolhido, como sua produção de estréia, “Pi”, “A fonte da vida” e “o lutador”. Todas essas produções tem como ponto central as obsessões e angustias de um protagonista, diante de algo grandioso como a idéia de vencer a morte, ou algo mais pessoal como simplesmente fazer o que você mais gosta de fazer. E D.Aronofsky sempre fez isso de forma magistral, com extrema habilidade. Alias, na minha modesta opinião ele foi responsável por dirigir Huhg Jackman em seu melhor papel em “Fonte da vida”. Na verdade, três papéis, nos quais mostrou versatilidade ao ser convincente interpretando um cientista, um guerreiro espanhol e  um maluco numa bolha no espaço.  Considerando o que Claremont disse sobre o personagem na trama na qual o filme se baseia, e somando a experiência do diretor em retratar personagens profundas em buscas pessoais, temos a escolha ideal (se seguirem mesmo por essa linha de trabalhar melhor a caracterização do protagonista). Acho que entre os esforços de Aronofsky e Jackman, “The Wolverine” pode aprofundar o personagem sem que ele deixe de ser o melhor naquilo que faz, fatiar coisas com garras de adamantium.

Bem, espero coisa boa daí. Snikt!!!

cartazes de filmes

Dias atrás sairam estes cartazes bacanas de Black Swan, filme de Natalie Portman dirigido por Darren Aronofsky, que eu vi no Gatos e Cérebros. Legais porque são ótimas artes,preocupadas em passar o clima do filme de outra forma, diferentes dos tradicionais posters com fotos das cabeças ampliadas dos atores.

Acho que seria legal se os estúdios investissem mais em representações desse tipo, além  de se preocupar com o nome do astro em letras grandes.

Algo como os ótimos cartazes minimalistas do designer William, que representam as idéias dos filmes de forma mais sutil:

No blog do William, o desenho por desenhar, você encontra mais do trabalho dele, como outros cartazes e redesenhos de personagens. Recomendado!

Black Swan em Veneza

Um dos filmes mais comentados no festival de Veneza, Black Swan, acabou não levando prêmio algum, só o de atriz revelação para Mila Kunis. Até Natalie Portman ( que já chama atenção no ultra tenso trailer) foi desbancada pela atriz Ariane Labed, do filme grego “Attenberg”. De todo jeito, Black Swan parece seguir uma linha de terror psicológico, que eu gosto bastante. A história é sobre uma bailarina com uma espécie de “inimiga imaginaria”. Só nesse vídeo já fiquei com uma sensação incômoda-não tanto quanto em “réquiem para um sonho”, mas aí já era demais. também já disse que considero o diretor, Darren Aronofsky, um dos melhores em atividade. Curioso pra assistir…

E por que será que a Natalie Portman não ganhou o prêmio? Será que a vencedora realmente se saiu melhor?

ou será que o jurí descobriu que ela  já havia mostrado suas habilidades de dança no clipe do Devendra Banhart?