Seleção de textos do Capitão América.

Agora que a Poltrona publicou a resenha do Capitão América, destaco outros textos que foram publicados sobre o personagem aqui no Blog:

Capitão América: o super-soldado de Joe Simon e Jack Kirby

Capitão América 178(1994, da editora abril)

Capitão América- Truth

Capitão América – A escolha

Capitão América- o primeiro vingador (review)

e confira também os trailers do filme:

trailer2

Capitão América- O primeiro vingador.

Post ultra-atrasado! Finalmente criei coragem e arranjei tempo para escrever sobre o ultimo filme de herói Marvel a estreiar esse ano. E essa era uma das apostas mais arriscadas de adaptação que chegaram as telas em 2011. A escolha do ator para o papel principal fez muitos fãs torcerem o nariz, e havia muita coisa que a produção poderia se tornar: um filme carregado de patriotismo, ou uma versão marvel de “G.i.Joe”, ou pior ainda, tudo isso junto.  Teve gente reclamando que o tom das imagens não parecia sério nem realista o bastante,  e que não lembrava em nada  “O resgate do soldado Ryan” e outros dramas de Segunda-Guerra.Ao contrário;o diretor Joe Johnston comparava o tom do filme ao de aventura de Indiana Jones e os caçadores da arca perdida- o que devo admitir, me agradava desde o começo, ainda mais quando já era sabido que a trama traria o Caveira Vermelha usando o o cubo cósmico. Além disso, o filme deveria estar contextualizado com os outros filmes da Marvel, visando o vindouro filme dos Vingadores. Muita coisa para equacionar.

Mas não é que o resultado foi bom?

A história segue fielmente a origem do personagem nas hqs, com poucas alterações. Steve Rogers é voluntário para uma experiência revolucionária do exército e se torna o Capitão América. Porém, um espião nazista assassina o criador do soro do supersoldado, que leva a fórmula para o túmulo.

O interessante é que no filme o Capitão e seus aliados parecem enfrentar uma guerra secreta dentro da segunda-guerra: O caveira vermelha encontra num antigo quadro o cubo cósmico, um artefato do tesouro de Odin que possui propriedades misteriosas( Se nos quadrinhos ele era um experimento da IMA capaz de alterar a realidade, aqui suas capacidades não são demonstradas além de uma incrível fonte de energia).A partir dai, o vilão transforma a Hydra, na história o grupo de ciências avançadas de Hitler, em uma tropa à parte dos nazistas, ainda que mantenha os objetivos.

Mas o filme se sai bem ao colocar todo o foco da história em seu protagonista. A trama se esforça para mostrar que o personagem é o o mesmo sujeito bem-intencionado e com vontade de ajudar durante todo o filme.  E graças à mão segura do diretor e da surpresa que foi o ator principal, o feito aparentemente simples, mas que muitos ignoram e subestimam, foi conseguido: um filme de aventura divertido que não ofende quem está assistindo, sem erros. Chris Evans convenceu muito bem como Steve Rogers, tanto antes quanto depois da sua transformação (alias, os efeitos que usaram para encolher o ator ficaram incríveis). Vale dizer que o elenco como um todo está muito bom: Stanley Tucci confere um tom humano ao inventor do soro, o Dr. Abraham Erskine;o consagrado Tommy Lee Jones acabou ficando com o alivio cômico, meio no piloto automático mas mesmo assim competente. A mocinha Peggy Carter, interpretada por Halley Atwell também funciona legal no filme. O romance dos personagens é bem trabalhado, sem aquela correria toda que acabou sendo o ponto fraco de Thor. Hugo Weaving, o bom e velho agente Smith, interpreta o nêmesis do Capitão América, o Caveira Vermelha. O Caveira é, digamos assim, um “vilão mau como um pica-pau”, rs. O cara que quer poder para dominar o mundo, sem nenhuma outra motivação mais complexa, como o ciúme e a inveja de Loki, do já citado Thor,ou a vontade de se vingar do Whiplash de Homem de Ferro2, por exemplo.

 O visual é muito bacana. A fotografia confere ao filme um tom de antigo, e o design do maquinário da hydra tem todo clima de ficção retrô dos anos 40. Toda essa mistura funciona e entrega aquele que talvez seja o filme da Marvel com mais cara de “super-herói” mesmo. Tem várias referências aos quadrinhos( se prestar atenção, naquela feira de ciências do começo dá pra ver o protótipo do Tocha Humana original numa vitrine!).Além desses elementos meio escondidos, há questões cruciais na história, como o envolvimento de Howard Stark, pai de Tony Stark, no processo de criação do super-soldado e na trama como um todo.

E como sempre, não saia antes dos créditos para não perder a cena extra de “Vingadores”.

Como ponto fraco da produção, dá pra citar a resolução rápida do conflito no final, apressada. Mesmo assim, nada que atrapalhe a diversão.

 Li alguns textos sobre o filme que considerei equivocados, reclamando do tom ingênuo da produção, qualificando “Capitão América- o primeiro vingador” como um retrocesso na recente leva de filmes de super-herói. Afinal, é mesmo tudo preto e branco: sabemos desde o começo quem é o mocinho e quem é o bandido. Entretanto, falta a estes textos a leitura que o filme faz das hqs de super-heróis da Era de Ouro e as próprias histórias pulp que eram mania na época. Com certeza não bate com a noção de super-herói atual, sombria,realista e complexada, mesmo se comparado aos ultimos filmes da Marvel, que procuram adotar um tom leve. Steve Rogers é tão altruísta que ele não se torna um herói para se redimir, como Homem-de-ferro ou Thor, ou por acidente como o Hulk. Mas sim por necessidade e por escolha própria. O que quero ressaltar é que o filme carrega em si o dna que originou o gênero, a vontade de resolver problemas e sonhar com uma situação melhor. Se as atuais aventuras do gênero sempre trazem um certo tom de melancolia ao tentar se manter fiéis a realidade e apresentar uma certa desesperança, o filme do Capitão vai em sentido contrário, pagando tributo as primeiras histórias do gênero. Como o mestre dos mestres  Will Eisner disse uma vez,” para problemas insolúveis, soluções impossíveis”.Então, se você ainda não o fez, assista o Capitão América sem preconceito e divirta-se.

Capitão América: Truth

red, white and black.

Citei brevemente essa história no post sobre o Capitão América, e volto a falar dela nesse novo texto. E como ela não foi lançada por aqui até hoje, não vou falar muito, só o bastante para mostrar o que me interessou.

Quando o dr. Erskhine foi assassinado, levou com ele o segredo do soro que deu super-poderes a Steve Rogers, o Capitão América.Isso fez com que o governo conduzisse experimentos secretos para tentar descobrir a fórmula.  Em “truth” que se passa no começo dos anos 40, acompanhamos a história  de Isaiah Bradley , que era membro de um regimento de soldados negros que o exército considerava dispensáveis. Testes são conduzidos nesse regimento, e todos os soldados sofrem terríveis mutações e não resistem, exceto por Isaiah. Ele então é preparado para missões secretas (a parte em que ele rouba um uniforme do Capitão América é muito legal). Mas se Isaiah Bradley sobreviveu à experiência, o que teria acontecido com ele? Acompanhamos a vida de Bradley desde antes dos testes e a trama  avança até o futuro, com Steve Rogers tentando descobrir o mistério nos dias de hoje.

O roteirista Robert Morales acerta na condução da narrativa e no tom de critica ao racismo, e depois de algum tempo de leitura deixamos de “estranhar” os desenhos de Kyle Baker. “Estranhar” porque o traço mais caricato empregado na trama não é usual nas costumeiras hqs de super-heróis, o que deve afastar parte do publico.Mesmo assim, é estranho que ela continue inédita no Brasil, principalmente se levarmos em conta que ela faz parte da cronologia da editora. Truth é uma história muito triste, mas também muito bonita. Seria algo legal da Panini lançar em um desses encadernados de custo médio que ela tem colocado em bancas.

Capitão América 178-editora Abril.

Dentre tantas histórias do personagem, esta foi selecionada pela temática interessante. Eram os anos 90( a revista saiu aqui no Brasil em 1994, se não me engano),quando começou um tempo reflexivo acerca do que é ou não politicamente correto. Pela primeira vez, o Capitão América, um icone do bom-mocismo super-heróico teve sua origem questionada.

Na trama,escrita por Mark Gruenwald e desenhada por Ron Lim, um dos funcionários dos Vingadores envolve-se com drogas, especificamente uma nova, chamada de “gelo”. Essa é a deixa para que os autores coloquem Steve Rogers em uma trama urbana, um pouco fora do contexto normal do personagem. Ele começa a investigar o tráfico de drogas em Nova York, e durante uma explosão em um armazém ele acidentalmente respira uma quantidade massiva de gelo. A partir dai, o Capitão começa a agir de forma anormal: arrogante, descuidado, excessivamente violento; o que desperta a suspeita de sua parceira na época, a Cascavel, e da Viúva Negra.

Paralelo a isso, Wilson Fisk, o rei do crime, não gosta nada de saber que tem uma nova quadrilha em sua cidade. Colocando o Mercenário para investigar, este descobre que quem comanda a operação é o Caveira Vermelha, em sua encarnação mais “capitalista”. Nesse ponto, até o Demolidor faz uma humilhante participação na história, quando ele toma uma surra do Capitão América chapado (ele estava se recuperando de um recente trauma em outra dimensão, mas mesmo assim…)

A Cascavel, com a ajuda da Viuva-Negra, conseguem capturar o Capitão, e Hank Pym, membro dos Vingadores, percebe que é necessário filtrar o sangue de Rogers para livrá-lo do gelo, o que também retira o soro que lhe concede poderes de seu organismo.Embora ele tenha continuado com o fisico aprimorado, ele deixou de possuir suas capacidades fora do comum. E é aqui que deixo mais claro o porque dessa história ter relevância como questionamento. O que incomoda Rogers a respeito das drogas é que o próprio soro do super-soldado que lhe concedeu poderes possa ser considerado uma delas, já que é uma substância que serve para alterar algo natural, um tipo de super-esteróide, digamos assim.

 É mais provável que essa fosse uma preocupação do roteirista, e não um diretriz politicamente correta baixada pela Marvel- isso tendo em vista que alguma edições depois o soro voltou a circular no organismo do super-soldado. Como a questão em si é bem complicada, é de se pensar: o soro poderia ser considerado algo ruim a priori, já que ele não possui os efeitos nocivos de esteróides anabolizantes, nem vicia como outras drogas? Ou o problema(se é que existe algum) está no fato de ser um poder detido por uma pessoa apenas?

Deixando as divagações de lado,o que a história tenta é reforçar é que o lado heróico do personagem está nas suas escolhas e não no soro; no fim, o Capitão até derrota o vilão ossos cruzados em combate corpo-a-corpo, mesmo estando sem poderes e usando um golpe desleal, rs.

E vale citar que o próprio Caveira Vermelha se engaja numa luta e acaba sendo derrotado pelo Wilson Fisk. Até os vilões detestavam o Caveira vermelha, que como nazista se tornava um ponto de referência na questão vilânia- algumas histórias antes, Magneto, o mutante inimigo dosX-men, havia deixado o Caveira para morrer num abrigo subterrâneo. Vilão até dos vilões.

Enfim, uma história boa de se ler, de qualquer forma.

o super-soldado de Joe Simon e Jack Kirby.

Com um cruzado de direita no queixo de Adolf Hitler, o roteirista Joe Simon e o desenhista Jack Kirby apresentaram ao mundo seu super-soldado. O Capitão América foi o produto  resultante da mistura de idéias que estavam ali fervilhando naquele contexto de 1940, durante a segunda guerra mundial.os super-heróis pipocavam aos montes,graças ao sucesso do Superman; e pareceu uma boa idéia para a editora Timely colocar um deles no front que detinha a atenção do mundo.

Mas já na concepção, além de ser um veículo de propaganda para os EUA, e um motivador para os tempos dificeis, o Capitão guardava alguma semelhança com parte de seus leitores: magrelo, fraco e oprimido, Steve Rogers recebia um soro experimental que o fazia atingir o ápice da capacidade humana. Assim, Rogers ia para a guerra, acompanhado de seu parceiro mirim, Bucky (como  vários outros heróis da época; uma estratégia para aumentar a identificação com os leitores).Representava os ideais da época de tomar o controle da situação ( o que na verdade continua atual, se pensarmos que o frank Miller colocou um cara de uniforme esmurrando um de turbante na capa de uma revista dias atrás). Mas não deixa de ser curioso que na visão um tanto simplificada de Kirby e Simon, o Capitão América encarnasse exatamente o ideal de perfeição do regime de Hitler: loiro, alto, forte e rápido, e enfrentasse um vilão nazista que utilizava uma horrenda máscara de caveira. Ao contrário das preferências do partido totalitário, que gostavam  da arte clássica e detestavam a, para eles grotesca, arte moderna-vale assistir como dica o documentário “arquitetura da destruição”.

Apesar do sucesso, com o fim da guerra as vendas cairam e a revista do personagem acabou cancelada. A timely tentou retomar suas histórias na década de 50, com outros autores que não Simon e Kirby, e não funcionou. Só nos anos 60 o personagem voltou a fazer sucesso, quando Jack Kirby, em conjunto com Stan Lee, ressucitaram o Capitão América e o colocaram nos Vingadores. A explicação para o personagem ressurgir nos anos 60 exatamente como era antes é que durante um confronto com o Barão Zemo, o avião em que estavam lutando caiu e o Capitão acabou congelado em um iceberg até que os Vingadores o descongelaram. Nesse confronto, ocorreu também a morte de Bucky (mas como todos sabem, ninguém morre de verdade nos gibis de super-heróis, e muitos anos depois ele retornou  sobre a identidade secreta de Soldado Invernal).
Além de Zemo, vale destacar outros dois inimigos do Capitão: o geneticista Arnin Zola(dado a criar clones de Hitler e aberrações em geral) e claro, o principal vilão: O Caveira Vermelha.

Johann Schimdt teve uma infância trágica: sua mãe morreu ao lhe dar à luz, e por isso seu pai alcoolatra tentou matá-lo. Viveu fugindo parte da vida, alimentando um ódio contra tudo, até o dia em que Adolf Hitler o encontrou em um hotel e decidiu transformá-lo no maior agente do nazismo, o Caveira Vermelha. No fim da guerra, foi atingido por um gás experimental que o manteve em animação suspensa, despertando anos depois para continuar os ideais nazistas e sua luta contra o Capitão. Diversas vezes o Caveira tentou se apoderar do Cubo Cósmico, um artefato criado pela IMA(idéias mecânicas avançadas) capas de alterar a realidade. passou por algumas modificações: se antes usava uma máscara de caveira, o vilão acidentalmente inalou seu pó da morte e ficou com o rosto igual ao da máscara.Atualmente ele está morto (maaas a gente sabe que isso não dura muito…).

O Capitão América também passou por épocas dificeis- liderou um grupo de personagens contra a lei que obrigava os heróis a revelarem suas identidades secretas, e acabou confrontando o Homem-de-ferro. No fim, o próprio Capitão foi dado como morto.  nas hqs publicadas no Brasil atualmente, Steve Rogers está de volta e atua como um mediador entre o governo dos EUA e os super-heróis, tendo abdicado de sua identidade como Capitão América em prol de Bucky Barnes, seu ex-parceiro. Falando nisso, outros já vestiram as botas engraçadas do personagem antes;  vale destacar Isaiah Bradley, o Capitão América negro, que apareceu na história Truth, até hoje inexplicavelmente inédita no Brasil.

Agora, pontos mais polêmicos:

Quando criança, não ligava muito para o fato do personagem se vestir de bandeira dos EUA. Depois, isso começou a me incomodar, claro. Mas hoje em dia, olhando o panorama geral do personagem de forma mais clara, é possível perceber que ele foi criado, como todos os heróis da era de ouro dos comics, para ser algo que funcionasse como escape do mundo real.-quer dizer, dois autores judeus colocam na capa de uma revista alguém que é tudo que eles não são, esmurrando Adolf Hitler, o que eles nunca poderiam fazer. Assim sendo, como todos os outros super-heróis norte-americanos, acabou representando muito da cultura deles- e nem sei se teria como ser diferente. O mais curioso é que embora em algumas histórias o Capitão represente o país, nas suas tramas mais interessantes o personagem afirma representar não o que as coisas são, mas o ideal de como elas devem ser. Mantendo-se fiel às suas convicções, o Capitão América já se voltou contra o governo de seu país diversas vezes, valendo destacar o periodo em que ele foi “demitido” do cargo de simbolo de nação, adotando um uniforme negro; e mais recentemente durante a guerra-civil citada acima, quando liderou um exército de heróis rebeldes contra uma lei estabelecida pelo governo que ele acreditava ser contrária à democracia. O personagem é um lider nato, dada sua experiência e sabedoria.

Ou seja: antes de torcer o nariz para o Capitão sem ler nada dele, vale a pena tentar conhecer um pouco.Ele não é ruim nem “raso” à priori, como muitos dizem: o que faz com que ele seja mais ou menos interessante, como em todos os outros super-heróis, são seus autores e as histórias que criam para eles.

E como dica, vale muito a pena a ótima Biblioteca histórica marvel: Capitão América, publicada aqui pela panini, com Stan Lee e Jack Kirby em plena forma.

Capitão América-a escolha

O texto tem Spoilers!

REVIEW
“Capitão América, a escolha” é o segundo volume da coleção de luxo à preço acessível da Panini. Capa dura, papel chique, acabamento cuidadoso à 22 Reais. Mas isso nem é o que chama mais atenção. O que realmente gera expectativa neste volume é que ele foi escrito por David Morrel,  autor de  First Blood, o livro em que foi baseado o primeiro filme do Rambo (que na minha opinião é o único realmente bom).  Na história, Steve Rogers, o Capitão América, está morrendo, por ironia, pelo mesmo soro que o transformou no super soldado. Mas antes de morrer, o Capitão precisa encontrar um substituto e é ai que entra o cabo James Newman, em atividade no Afeganistão. Usando um procedimento científico militar, o Capitão consegue se projetar na mente do cabo Newman encorajando-o nos momentos difíceis. A história tem um teor patriótico alto. O capitão repete palavras como “coragem, honra, lealdade e sacrifício” o tempo todo.  Aqui não há interesse em questionar os reais motivos da guerra.  James Newman acredita que está no Afeganistão para tornar o mundo um lugar melhor, enfrentando inimigos da liberdade no rastro de 11/09 e da ‘”guerra ao terror”(do Bush, não o filme).  A guerra é sim mostrada como uma coisa horrível, mas isso serve para realçar a vida difícil dos soldados servindo ali.
Mas, apesar de uma certa ingenuidade, a história é bem contada, Morrel é um bom roteirista e os desenhos de Mitch Breitweiser são realmente muito bons. A forma como Steve Rogers vai definhando ao longo da história é talhada no rosto e no corpo do Capitão América; é estranho e provoca angústia ver o personagem naquele estado, frágil, magro, com os olhos fundos e abatidos.
Quanto a estrutura, a história foi originalmente publicada como uma mini-série em 6 capítulos. Entretanto, foi uma boa publicá-la completa em um encadernado. Morrel e Breitweiser focam na história do cabo Newman, e poucos eventos se estendem de forma habilidosa por várias páginas, trabalhando a tensão. Por isso, fiquei em dúvida; talvez a história perca um pouco de força quando lida em partes, com um mês de intervalo entre cada uma delas.Cada situação e pensamento do cabo são comparadas com aquelas que o Capitão passou em sua vida, e  nisso Steve Rogers conta sua própria história: sobre o soro,  sobre sentir medo, sobre de repente ver a si mesmo em mundo estranho,sobre estar morrendo  e mesmo assim ser impelido a continuar.
Contudo, a idéia mais forte está no final. O Capitão revela que ao mesmo tempo tem aparecido na mente de várias outras pessoas,homens e mulheres de várias profissões e classes sociais, com o objetivo de fazer com que todas se tornem “capitães américas” e possam, cada um a sua maneira, trabalhar por um mundo melhor.
O saldo final compensa. Excelente acabamento, preço não tão alto e uma história legal.
dando pitacos:
Maaaass… A história poderia ter sido contada de forma diferente. Morrel poderia ter optado por deixar mais forte a idéia de que “há um pouco de Capitão América em cada um”.A divisão da história em 6 capítulos serviria para potencializa-lá.
Por exemplo, ao invés de focar a história no cabo Newman, cada capitulo poderia servir para mostrar um personagem diferente, que não fossem  todos soldados, passando por momentos de dificuldade. Pode até parecer brega, mas se bem contada poderia ser interessante mostrar como as pessoas se esforçam no seu cotidiano para tornar suas vidas e das pessoas ao seu redor melhor. Seria um jeito legal de mostrar de forma mais abrangente o que o Capitão América quer dizer com “lutar pela liberdade”. Explorar esse conceito de forma mais vasta que não só a do soldado, que está lá sofrendo numa guerra em um país distante, com saudade da mulher e do filho,mas  que mesmo assim continua lutando para proteger um modo de vida.  Embora Morrel e breitweiser mostrem que James Newman realmente acredita no que faz,conseguindo entregar uma hq bacana, é uma forma um tanto redutora de mostrar o que o Capitão América tenta representar.
Cada capitulo poderia apresentar um personagem diferente, mantendo a idéia do capitão América se projetando em sua mente e contando uma parte da sua história. Os desenhos de Breitweiser mostrariam aos poucos o capitão América definhando, edição por edição, sem entretanto contar o por quê. Ficaria um tom de mistério; estariam estas pessoas tendo alucinações ou seria realmente o capitão? Só no capitulo 6 seria revelado o que estava realmente acontecendo, com o capitão explicando a todos eles que estava morrendo. E no fim, seria mostrado brevemente como cada personagem dá continuação ao legado de Steve Rogers ao seu modo.